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17 de mar de 2017

[Poesia] PEDRO LUSO – Mágoa





         MÁGOA
                – PEDRO LUSO DE CARVALHO


Agora podes ver, amada,
no que me transformei.
O homem que fui
ficou na ferrugem
do tempo (não sei
quanto tempo faz).

Não mais lembras, amada,
do nosso rosário de juras
para além da vida?


Vês os meus olhos, amada,
com horizontes perdidos,
num mundo de sombras?

Sei, amada, logo passará
esta dor; nada é perene
(o amor morre
com o tempo). Às duas
da madrugada,
também eu estarei morto.





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10 de mar de 2017

[Poesia] PEDRO LUSO – O vento maldito




O VENTO MALDITO
PEDRO LUSO DE CARVALHO
(reedição)


De onde vem este vento pleno
de mau agouro? Virá das tumbas
de tempos remotos? – Gélido frio
perpassa-me o corpo.
Maldito vento, por que não cessas
e voltas para teus mortos?
Ou será teu desejo levar-me
contigo como troféu?
A quem servirá minh’alma?
Troféu algum valerá trabalho
tamanho para essa viagem
das trevas, vento maldito
com presságio de morte.
Não vês que ainda tenho sonhos,
tenho amores para amar,
injustiças para corrigir?
Vai-te daqui, vento agourento!
Irei contigo, mansamente,
maldito vento dos cemitérios,
quando não mais puder sentir
a dor dos homens secos pela fome.




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4 de mar de 2017

[Poesia] PEDRO LUSO - Ansiedade do artista




                 ANSIEDADE DO ARTISTA
 – PEDRO LUSO DE CARVALHO

Fantasmas cercam o artista
na noite, quase madrugada.
No ateliê vestido de quadros
ainda ecoa o estampido da arma.

Na ânsia de criar, o artista fere
a tela virgem com o sangue
do homem – dançam pincéis
com tantas tintas no alvo tecido.

O artista anseia esquecer
o dia de fúria, esquecer a arma
municiada na mão tensa –
sentença irrecorrível.

Nos contornos de lúgubres figuras,
compostas em grandes telas, homens
e mulheres assombram – a criança
transborda alegria num universo de cores.





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25 de fev de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO – Tiranos da Segunda Guerra Mundial




       PEDRO LUSO DE CARVALHO


A História mantém em seus registros atos incontáveis sobre a atração que a guerra exerce sobre o homem. Dentre todos esses registros históricos, nada pode ser comparado com os fatos ocorridos na Segunda Guerra Mundial, período no qual muitos líderes deram vazão ao prazer de matar e subjugar seus semelhantes, sendo que nenhum deles pode ser comparado a Hitler.
Na Alemanha, assassinatos foram praticados de forma cruel pelos Nazistas, sob o comando do celerado Adolf Hitler. O morticínio de cerca de 78 milhões de pessoas, na da Segunda Guerra Mundial, inclui civis indefesos – homens idosos, mulheres e crianças. Muitos dos civis alemães certamente não ignoravam as atrocidades cometidas contra o povo judeu, como também não ignoravam os planos de domínio da Alemanha, no âmbito mundial.
O propósito de Hitler era a dominação do mundo e a exterminação do povo judeu. Esse também era o propósito da Alemanha Nazista, que impôs ao povo judeu torturas cruéis e morte, nos seus campos de concentração. Submetia-os a trabalhos forçados e os matava nas suas câmaras de gás.
Em decorrência desses atos de ignomínia, a Alemanha tornou-se responsável por todos esses horrores. Foi responsável pelos crimes contra a Humanidade, praticados pelas suas forças armadas, e teve de pagar uma pesada dívida de guerra, depois de 1945, no Julgamento de Nuremberg. Hitler foi apenas o Chanceler da Alemanha, e foi em seu nome que tantos crimes foram cometidos pelos alemães.
Além desses crimes praticados pela Alemanha, sob o comando de Hitler, sabidamente psicopata, outros crimes foram cometidos durante a Segunda Guerra Mundial, no período de 1939 a 1945. Além desse país, outros, que foram também responsáveis por muitos crimes, praticado nesse conflito: a Itália, de Mussolini; O Japão, de Hirohito; os Estados Unidos, de Roosevelt e de Truman. (Deixo Stalin para uma estudo exclusivo.)
Harry Truman, presidente norte-americano, também deixou sua marca de crueldade na História, ao ordenar o lançamento de duas bombas atômicas contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, em seis e nove de agosto de 1945, cujos efeitos foram devastadores, com a destruição de 60% dessas duas cidades, e com a morte de milhares de seus habitantes, além de milhares de feridos.




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18 de fev de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO - Pouco se espera do ensino



    
                 POUCO SE ESPERA DO ENSINO
                        - PEDRO LUSO DE CARVALHO

Sabem, os pais atentos, que a qualidade do ensino formal no Brasil, em todos os níveis, é infinitamente inferior ao ensino que é ministrado em escolas e universidades dos países economicamente desenvolvidos, mesmo porque a riqueza desses países teve como base o que foi investido na cultura.
Há muitas décadas o Brasil mantém péssima qualidade de ensino, mas, nos últimos vinte anos excedeu-se no seu declínio. Dessa realidade, os pais, que iniciam seus filhos nos estudos, precisam estar bem conscientes, pois a ilusão de que frequentam boa escola poderá resultar em maiores prejuízos.
Não se pode ter dúvida de que o Brasil não tem condições econômicas para mudar a precária política de ensino, que vai do primeiro grau até a universidade, política que ainda vigora. O ensino público e o particular são igualmente caóticos. Sofrerá a sociedade, diante de profissionais incompetentes.
Portanto, os pais endinheirados que quiserem para seus filhos uma ótima formação universitária, sabedores que é péssimo o ensino no Brasil, terão que matriculá-los num país desenvolvido. Sabem, esses brasileiros, quais os países com ótimo ensino: Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha.
Não podendo matricular os filhos em escolas de países desenvolvidos, os pais podem ajudá-los, independentemente do grau de ensino que cursam, aproximando-os dos livros, embora se trate de tarefa árdua, impossível para muitos pela resistência à prática da leitura. Quê mais fazer, além disso?



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11 de fev de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO – Estradas do Brasil





      ESTRADAS DO BRASIL
          – PEDRO LUSO DE CARVALHO



O jovem casal prepara-se para a viagem. As malas são arrumadas, também os brinquedos da filhinha, de dois anos. O marido está feliz por ver o brilho de felicidade nos olhos da esposa; ela está ansiosa para rever seus pais, em Santa Maria, sua cidade natal, onde com eles viveu até se casar.
Ainda está escuro. A família faz a primeira refeição do dia. O casal fala sobre a distância da viagem; de onde estão, em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, é muito chão até Santa Maria, situada no centro do estado. Os dois rezam em silêncio, antes de deixarem a mesa.
O sol dá o sinal ao casal para partirem. A esposa acomoda a filha no seu banquinho, prendendo-a ao cinto de segurança, no banco de trás; o marido coloca as malas no carro, depois abre a porta da garagem e espera pela esposa, que faz revisão nas janelas e fecha as portas.
O carro já está rodando na estrada estadual, com o sol refletindo no para-brisa, em velocidade um pouco acima da permitida por lei. A esposa adverte o marido, com o cuidado necessário para não magoá-lo: “Vamos obedecer a lei, amor, para não sermos multados”.
O marido diminui a velocidade do carro, atendendo ao pedido da esposa; depois se dá conta de que a estrada é perigosa, com uma única pista, de ida e vinda, sem acostamento, com asfalto em estado precário, com muitas falhas e alguns buracos, sempre com risco de acidentes.
O sol dificulta a visão. A esposa fala para espantar o sono; depois avista um carro vermelho vindo no sentido contrário, em alta velocidade, já próximo à curva, diante deles. Dá-se a colisão frontal, com estrondo. O casal e a filhinha morrem; também morre o homem do carro vermelho.



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5 de fev de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO - Da Crueldade do Homem



        
   DA CRUELDADE DO HOMEM
         - PEDRO LUSO DE CARVALHO


Não se pode ter dúvida de que o homem é, dentre os outros animais, o único dotado de crueldade. O homem é o único que escraviza, o único que tortura. Não se pode dizer que o homem mata em sua própria defesa ou em defesa de terceiros. Há casos em que tal hipótese pode ser verdadeira. Mas não é a regra.
Se quisermos um homem exceção, aquele que não usa as armas convencionais para a defesa de seu povo, podemos tirar do fundo da História talvez um único homem com tal mérito: Mahatma Gandhi. Esse homem tornou-se respeitado por todo o mundo ao libertar a Índia, sem o uso da violência, do império Britânico.
Deixando de fora essa honrosa exceção, volto à regra, que é o comportamento do homem cruel. Escolho para isso o registro histórico da matança de cerca de 78 milhões de pessoas, em todos os quadrantes do mundo, no tempo de cinco anos, entre os anos de 1939 a 1945, que foi o tempo da Segunda Guerra.
Com tantas mortes nesse conflito mundial, não se pode responsabilizar apenas a Alemanha, mesmo porque não é esse o objetivo desta crônica. Portanto, sendo o tema a crueldade do homem, basta que se escolha, dentre os participantes do conflito, apenas o modelo do que seja o homem cruel: Adolf Hitler.
Tempos atrás havia quem negasse a existência do Holocausto, o que é inconcebível. Lembro-me que cerca dez anos foi editado um livro aqui em Porto Alegre, cujo título já era a negativa do Holocausto. Medidas judiciais foram tomadas para evitar a divulgação do livro, o que felizmente aconteceu.
Hoje, não se pode negar os crimes cometidos pela Alemanha, entre outros países, na Segunda Guerra Mundial. Mais que centenas de livros sobre o Holocausto, existem também centenas de filmes no YouTube, filmados pelos soldados de Hitler, nos quais estão explícitas a crueldade do homem.



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29 de jan de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO - Quando Falha a Educação



            
         QUANDO FALHA A EDUCAÇÃO
                      - PEDRO LUSO DE CARVALHO

Os pais que se esforçam para criar e educar os seus filhos querem vê-los vencedores nas lutas que haverão de travar pelas melhores posições que a sociedade reserva aos intrépidos. Alguns deles poderão ter poder e acumular muita riqueza. Ao pensarem nessas vitórias de seus filhos, os pais sentem-se recompensados pelos esforços empreendidos.
Os filhos, que são estimulados pelos pais a vencer, prepararam-se unicamente para esse fim. Estarão sempre se aprimorando para levantar novos troféus, pela vida afora. Sendo assim, não terão ouvidos para o clamor que vem das ruas, pois o sentimento de solidariedade não fez parte da educação que seus pais erroneamente administraram.
Não será melhor a educação voltada principalmente para os valores do caráter? Não tenho dúvida de que são muitos os pais que se preocupam com esses valores para os seus filhos, mas, por outro lado, a prática me diz que muitos outros pais almejam para os seus filhos uma sólida formação profissional, visando independência econômica para eles, acima de tudo.
No Brasil pode-se constatar que muitos desses filhos, que foram orientados para o sucesso, por seus pais, chegaram em universidades e delas saíram com seus diplomas de bacharéis em Direito, Medicina, Economia, Sociologia, Psicologia, entre outros. Imaginariam alguns desses pais que seus filhos estariam presos em cadeias de Curitiba, do Rio de Janeiro, de Brasília, por corrupção?
Neste país, bandidos pobres morrem cedo, na luta que travam com seus rivais de tráfico de drogas e com a polícia. Sem nenhum privilégio, são jogados em penitenciárias lotadas e imundas. Ali eles se preparam para cruéis matanças entre bandos rivais. Já os ladrões ricos, que roubaram a Petrobras, cumprem suas penas junto das esposas, em luxuosas casas.



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22 de jan de 2017

[Crônica] PEDRO LUSO – Os Pensadores




     

  
OS PENSADORES
 PEDRO LUSO DE CARVALHO



O gosto pelo estudo da Filosofia antecedeu meu ingresso na Faculdade de Direito, onde continuei a estudá-la - havia Filosofia do Direito no currículo. Antes disso, tive de descobrir que, com linguagem rebuscada, os filósofos escondiam o simples da vida.
Aqui e ali apresentavam-se questões que pediam soluções: quem pode ser filósofo? A paciência ajudou-me a encontrar a solução para essa questão: o filósofo é aquela pessoa que se dedica a pensar a respeito da existência, sobre o homem e a sociedade, sobre a vida.
Pode-se questionar: o graduado em Faculdade de Filosofia é filósofo? Resposta simples: dedicando-se a pensar os problemas das pessoas e da sociedade, na busca de suas soluções, será filósofo; não tendo essa predisposição, não passará de bacharel em Filosofia.
Em tempos modernos, pensadores ainda se entregam a estudos da alma e da existência de Deus. A religiosidade terá sempre o seu lugar entre eles. Hoje, entendemos as suas ideias com necessária clareza, já que outra é a forma, e a linguagem ficou despojada.
Um outro fato importante, que nem sempre nos damos conta, diz respeito à "presença" da Filosofia nas obras de poetas e ficcionistas. Uma poesia lida com atenção nos dirá que o poeta é um pensador. O mesmo pode acontecer quando lemos obra de ficção.
Alguns dos escritores que contribuíram para que a Filosofia se manifestasse pela literatura: Fernando Pessoa, Drummond, Neruda, Paz, Borges, Eliot, (poesia); Machado de Assis, Eça, Faulkner, Kafka, Joyce, Tolstoi, Dostoiévski, Cervantes (romance).


    
        
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